Faltando apenas 18 meses para o pontapé inicial da próxima
Copa do Mundo, a construção ou a reforma dos estádios das cidades-sede de
Manaus, Natal e Cuiabá ainda é motivo de preocupação. Nelas, menos de 50% das
obras foram concluídas.
“As obras nessas três cidades – Natal (43%), Manaus (47%) e
Cuiabá (50%) – precisam andar mais rápido para que fiquem prontas até o início
do Mundial, em junho de 2014”, frisou José Roberto Bernasconi, presidente do
Sindicato da Arquitetura e da Engenharia do Estado de São Paulo (Sinaenco/SP).
Acrescentou que, "se as obras se mantiverem no ritmo
que impera desde o início, há grandes motivos para preocupação. E são obras
públicas, portanto, dependem do envolvimento dos governos federal, estadual e
municipal para que os estádios fiquem prontos a tempo", disse Bernasconi.
Se o atraso permanecer, existe até mesmo o risco de essas
cidades deixarem de ser sede da Copa. "Isso vai depender da Fifa. Mas o
próprio Jérôme Valcke [secretário-geral da Fifa] demonstrou que está olhando
com muito cuidado para esses três estádios, que precisam mostrar serviço. A
resposta está na mão dos gestores dos estados", concluiu Bernasconi.
Já para Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional
de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), é possível que a Fifa
reduza o número de sedes para a realização dos jogos em 2014 caso haja
problemas muitos grandes. "Se houver uma emergência, pode-se lançar mão
desse caminho."
Entre os demais estádios programados para receber os jogos do
Mundial, as arenas de Porto Alegre (52%), Curitiba (55%) e de São Paulo (58%)
estão dentro do prazo e pertencem à iniciativa privada.
"Em Porto Alegre é realizada uma reforma, que está
dentro do cronograma. A obra de Curitiba é considerada a de menor intervenção
das 12 sedes. Em São Paulo, o ritmo das obras é muito forte", afirmou
Bernasconi.
As outras seis arenas para o evento em 2014 deverão ter o seu
teste de fogo na Copa das Confederações, em junho deste ano. Dois desses
estádios já foram reinaugurados pela presidente Dilma Rousseff: o Mineirão, em
Belo Horizonte, e o Castelão, em Fortaleza.
Já os estádios de Brasília (85% das obras prontas) e
Salvador (80% concluído) devem ficar prontos, na avaliação de Bernasconi, até
abril de 2013 – portanto antes do evento.
Mesmo com 85% da reforma pronta, o Maracanã exige um
acompanhamento mais cuidadoso. "O estádio tem o sinal amarelo porque é uma
obra de grande complexidade. A obra está acelerada, mas houve demolições e
havia problemas na cobertura. Mas deve ficar pronto até o prazo final",
disse.
Já o estádio do Recife é o lanterna na preparação para a
Copa das Confederações. Mesmo com 70% da construção pronta, ele recebe um sinal
amarelo de Bernasconi. "A obra demorou para ser iniciada.
Estão sendo
construídas vias de acesso e a urbanização está sendo realizada. O ritmo da
obra deve ser acelerado, pois o prazo final é a Copa das Confederações",
frisou Bernasconi.
De janeiro de 2011 a novembro de 2012, o custo total das
construções e reformas dos estádios das 12 cidades-sede aumentou cerca de 20%,
passando de R$ 5,63 bilhões para R$ 6,76 bilhões. Especialistas afirmam que
esse aumento se dá, muitas vezes, pelo fato de a licitação de construção ou de
reforma ser realizada a partir do projeto básico – que é elaborado com base nas
indicações dos estudos técnicos preliminares.
"O melhor seria realizar a licitação da obra com um
projeto totalmente pronto [projeto executivo]. Quando a obra não está
totalmente definida, ela fica sujeita a custos extras", disse Bernasconi.
Guerreiro, do Crea-RJ, disse que a situação reflete "um certo vício de
comportamento" em que o planejamento não é realizado em tempo hábil.
Bernasconi destaca que há a possibilidade de os estádios de
Manaus, Natal e Cuiabá – os mais atrasados – terem um aumento em seus custos de
reforma ou construção. "Seguramente esse risco existe", afirmou.
Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Alexandre Schossler