quarta-feira, 13 de julho de 2011

Wagner põe as cartas na mesa

Por Marcelo Gonçalo/Blogama.net

Prestes a estrear na Série D, o Gama passa por uma das piores crises financeiras dos últimos vinte anos.

Devendo salários a jogadores e funcionários, o alviverde ainda teve os recursos da sede social penhorados pela Justiça para pagamento de ações trabalhistas.

E a tão especulada parceria entre o alviverde e o empresário Froylan Pinto que poderia ser a solução do clube está emperrada.

Tudo isso foi colocado em pauta na entrevista concedida por Wagner Marques ao site BLOGAMA em seu escritório localizado na 414 sul.

Wagner Marques respondeu as declarações de Froylan Pinto de que o estatuto do Gama lhe dava poderes ilimitados, caracterizando Marques como dono do Gama:

"Eu acho que cada pessoa é livre para falar o que quiser. Eu acho que foi uma maneira que ele encontrou de fazer a sua colocação. Mas eu não concordo, até porque o estatuto é moderno. Foi baseado no de outras agremiações. Nós pegamos vários outros modelos, mas você pode crer em uma coisa: quem tinha um projeto de fazer um investimento à longo prazo também não poderia ficar fragilizado. Por qualquer crise aí se tira a pessoa. Tem gente que ainda acha que investir no futebol é só colocar dinheiro. Você não pode retirar. Então, há um equívoco nesta questão, tanto que a maior dificuldade que você encontra em buscar parceiros, em buscar investidores, é por causa dessa mentalidade de alguns conselheiros, de algumas pessoas, que acham que no futebol você só pode colocar dinheiro, não pode retirar. Se amanhã o Froylan Pinto assumir o Gama, ele terá toda a liberdade de convocar uma assembléia e alterar o estatuto do clube de tal forma que ele possa administrar. Porque nós não fizemos o estatuto sozinhos. Submetemos à uma assembléia geral e essa assembléia decidiu que o estatuto tivesse aquele formato" disse.

Depois de responder a vários questionamentos de Márcio Almeida, historiador do futebol de Brasília e membro do BLOGAMA, o dirigente respondeu às perguntas de Marcelo Gonçalo e Daniel Lira (o Dany Pança), repórter da Rádio Transamérica e participante do programa Esporte Show da TV Brasília.

Wagner respondeu à pergunta que está na boca de todos os torcedores do Gama: por que a parceria com o empresário Froylan Pinto ainda não foi efetivada?

O dirigente respondeu que, apesar do que vem sendo especulado pela mídia, até o dia da entrevista, o empresário não havia formalizado uma proposta para assumir o clube mais popular do DF:

"Primeiro eu nunca fui procurado pelo Sr. Froylan. Eu fui, sim, procurado por pessoas que manifestaram de que o Sr. Froylan tinha o interesse em vir ajudar o Gama. Eu falei que o Gama está de braços abertos, até porque na minha concepção é uma pessoa que voltada ao futebol, sabe das dificuldades para tocar o futebol e eu achava que era a pessoa ideal. Agora, infelizmente, fui surpreendido com várias declarações na mídia, inclusive, dizendo que ele teria que fazer um cheque e entregar na minha mão, coisa que eu jamais falei isso, não dei valores, não sei...Sei mais ou menos o débito que o Gama tem, até porque eu fui me inteirar assim que o Paulo Goyaz saiu do Gama para saber em que situação estava, da folha de pagamento, dos débitos das pessoas que investiram no Gama, então são coisas que têm que ser honradas. A única colocação que eu fiz foi: olha, qualquer pessoa que vir aqui vai ter que assumir o ativo e o passivo do clube, que isso é normal".

Questionado sobre qual seria o valor desta dívida que teria que ser assumida pelo eventual parceiro, Wagner disse que não sabe ao certo, mas que gira em torno de 4 a 5 milhões:

"O ativo do Gama, depois que concluírem estas obras, devem girar em torno de 15 a 20 milhões. Isso é uma estimativa. E o passivo deve estar em torno de quatro a cinco milhões. Que também tem que ir na contabilidade e levantar realmente o que existe. Então, hoje, se Froylan Pinto ou qualquer outro investidor vier, ele vai pegar uma situação bem estável, bem diferente se ele for pegar outra agremiação. Este débito assusta porque você não tem uma receita contínua hoje, mas por outro lado, o débito não é tão grande para a pessoa se assustar e sair correndo".

Wagner também afirmou que facilitaria o pagamento desta dívida para que algum parceiro chegasse e assumisse o Gama:

"Ela (a parceira) não tem que pagar esta dívida no ato. Ela pode flexibilizar, pode administrar, até porque vai ter um patrimônio. Ela pode pagar este débito com o próprio patrimônio, enfim, eu acho que não é tão difícil para quem vem agora para administrar o Gama". O eterno homem forte afirmou que existe uma urgência nas pendências com os atletas que giram em torno de R$ 500 mil.

Também foi questionado qual seria a atual fonte de recursos do alviverde para bancar o atual time, já que o clube não recebe nenhum patrocínio e a última parcela de R$ 2 milhões dos seis devidos pela construtora Tecnisa está dependendo de um alvará judicial para ser liberada.

Wagner informou que não há patrocínio do BRB porque não há um projeto atual em andamento por parte do Governo para ajudar os clubes no segundo semestre.

Mas o pior veio depois. Wagner disse que o Gama não receberá a última parcela da construtora devido à decisão judicial que penhorou a verba para pagamento de ações trabalhistas:

"Acontece o seguinte: a Tecnisa praticamente repassou esses seis milhões, pelo que eu sei. Acontece que ela ainda está tendo alguns empecilhos para liberar o alvará. A questão é que não virá mais recursos em dinheiro da Tecnisa. O que virá, isto sim, serão as obras prontas, e, a partir daí é que se fará uma receita no futuro. Agora, no momento, os dois milhões que ficaram retidos foi pago em verbas trabalhistas. Isso a Tecnisa fará depois uma prestação de contas desses dois milhões que ficaram retidos e que ela está indenizando as ações trabalhistas" afirmou.

Wagner Marques foi enfático ao afirmar que, no momento, o Gama não dispõe de recursos para tocar o clube.

"Na realidade não temos recursos. Eu é que estou ajudando no que eu posso. Estou pedindo ajuda aos companheiros, às pessoas que podem ajudar, porque eu estou proibido de investir no Gama. Até porque, por uma questão familiar, eles (os seus familiares) não aceitam mais que eu continue investindo no clube. Além disso, eu ainda sou vilipendiado o tempo todo por pessoas que não conhecem e não sabem o interior da situação. Então, eu não posso fazer investimentos no Gama. Estamos contando com a ajuda e tentando patrocínios. Hoje, estamos com três ou quatro propostas de patrocínio para ver se buscamos esses recursos ainda antes de começar o campeonato. Destas quatro empresas, esperamos fechar com pelo menos uma para a gente dar prosseguimento nessa competição".

Wagner afirmou ainda que, mesmo com a mudança da atual diretoria executiva, as coisas deverão continuar da mesma forma.

Por último foi-lhe perguntado o que deveria ser feito para que o Gama voltasse ao cenário de vitórias ao qual a torcida se acostumou a ver sob sua direção. Wagner afirmou que o Gama só depende de investimentos:

"Na verdade, hoje o Gama tem uma estrutura de primeira e um time de quarta. Tem um dos melhores estádios do Brasil, moderno, novo, e o que falta, infelizmente, são recursos. o que falta são investimentos. A partir do momento que se tiver investimentos, eu acho que o Gama tem tudo para voltar a ser o que foi no passado e representar Brasília no futuro. Mas, sem dedicação e sem trabalho as coisas não acontecem. E eu posso lhes dizer o seguinte: eu me dediquei por 18 anos, 24 horas por dia. Eu acho que hoje eu estou até com a memória ruim em função de tanto stress que passei com o Gama nesse período todinho. Graças à Deus eu tenho a tranqüilidade de ter feito o melhor que eu pude pela agremiação, por um sonho que eu tive, que era fazer o time chegar à primeira divisão e conseguimos".

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