Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, prometeu-se que a grande extensão do país não seria um problema e que a disputa seria regionalizada.
Assim como outros assuntos ligados ao Mundial, porém, o tempo passa e percebe-se que nem tudo o que foi prometido vai acontecer.
A ideia era que, por exemplo, uma seleção jogasse toda a primeira fase no Nordeste ou somente no Sul do país, onde as temperaturas são mais baixas nos meses de junho e julho. Só que a tal ideia foi por água abaixo.
Definidas as datas e locais das partidas da Copa, já é possível observar que muitas seleções vão sofrer com grandes deslocamentos e com radicais mudanças de temperatura ao longo da primeira fase.
É o caso do adversário do Brasil na estreia do Mundial, dia 12 de junho de 2014, no futuro estádio do Corinthians - fora o time-sede, todos os outros estão indefinidos.
Depois de jogar com a nossa seleção, em São Paulo, esta equipe terá que ir a Manaus e a Recife nas demais rodadas da fase de grupos, totalizando um total de 5.522 quilômetros viajados.
Só uma seleção vai passar mais tempo no avião, o quarto representante do grupo G – serão, ao todo, 5.598 quilômetros.
No total de todos os times, serão percorridos 90.735 quilômetros em solo brasileiro durante a competição, o equivalente a mais de duas voltas ao mundo.
Isso se forem realizados voos diretos, sendo que a maioria deles não existem hoje em dia. Talvez grandes seleções consigam fretar voos, mas para o torcedor, atualmente, ir de Manaus a Recife, por exemplo, exige fazer até quatro escalas.
Mas, alguns cabeças de chave de grupo, necessariamente equipes de tradição em Mundiais, acabaram se beneficiando.
É que, na prática, só três seleções vão se manter em uma mesma região do país durante a primeira fase, duas delas cabeças de chave – H1, no Sudeste e G1, no Nordeste.
Outros dois cabeças de chave vão mudar de regiões, mas sempre atuando entre cidades próximas: C1 e F1 jogam em Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Rio, BH e Porto Alegre, respectivamente.
O D1, por outro lado, vai sentir na pele a complexidade do Brasil. Além de ser a quarta seleção que mais viajará durante o Mundial, pode enfrentar uma diferença térmica de até 18°C ao estrear em Fortaleza, ir a São Paulo e voltar a Natal.
O representante E4, que começa a Copa em Porto Alegre e Curitiba, capitais mais frias do país, encerra a fase de grupos em Manaus, onde pode enfrentar até 35°C. Já a seleção B4 estreia na quente Cuiabá antes de jogar em Porto Alegre e Curitiba.
"Sem dúvida é uma diferença de temperatura grande, somada a uma viagem que também vai ser outro fator determinante. Com certeza não é a situação ideal para se ter um bom desempenho físico. É uma amplitude muito grande e vai, sim, trazer prejuízos, principalmente pensando nos 35°C de Manaus. Se a gente imaginar uma variação de 8°C para 35°C, é algo que deveria ter uma semana de adaptacão", diz o fisiologista Turíbio Leite.
Veja quanto percorrerá cada seleção:
Grupo A (oitavas em Belo Horizonte ou Fortaleza)
A1/Brasil - São Paulo, Fortaleza e Brasília (4.055 km de deslocamento; classificando-se como líder, a Seleção Brasileira pode percorrer 8.771 km até a final)
A2 - São Paulo, Manaus e Recife (5.522 km de deslocamento)
A3 - Natal, Fortaleza e Recife (1.064 km de deslocamento)
A4 - Natal, Manaus e Brasília (4.697 km de deslocamento)
Grupo B
B1 – Salvador, Rio de Janeiro e Curitiba (1.884 km de deslocamento)
B2 – Salvador, Porto Alegre e São Paulo (3.155 km de deslocamento)
B3 – Cuiabá, Rio de Janeiro e São Paulo (1.932 km de deslocamento)
B4 – Cuiabá, Porto Alegre e Curitiba (2.225 km de deslocamento)
Grupo C
C1 – Belo Horizonte, Brasília e Cuiába (1.497 km de deslocamento)
C2 – Belo Horizonte, Natal e Fortaeza (2.266 km de deslocamento)
C3 – Recife, Brasília e Fortaleza (3.344 km de deslocamento)
C4 – Recife, Natal e Cuaiaba (2.777 km de deslocamento)
Grupo D
D1 – Fortaleza, São Paulo e Natal (4.688 km de deslocamento)
D2 – Fortaleza, Recife e Belo Horizonte (2.268 km de deslocamento)
D3 – Manaus, São Paulo e Belo Horizonte (3.178 km de deslocamento)
D4 – Manaus, Recife e Natal (3.086 km de deslocamento)
Grupo E
E1 – Brasília, Salvador e Manaus (3.665 km de deslocamento)
E2 – Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro (1.756 km de deslocamento)
E3 – Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro (3.512 km de deslocamento)
E4 – Porto Alegre, Curitiba e Manaus (3.289 km de deslocamento)
Grupo F
F1 – Rio de Janeiro, Belo Horizonte e PortoAlegre (1.680 km de deslocamento)
F2 – Rio de Janeiro, Cuiabá e Salvador (3.490 km de deslocamento)
F3 – Curitiba, Belo Horizonte e Salvador (1.784 km de deslocamento)
F4 – Curitiba , Cuiába e Porto Alegre (2.981 km de deslocamento)
Grupo G
G1 – Salvador, Fortaleza e Recife (1.657 km de deslocamento)
G2- Salvador, Manaus e Brasília (4.537 km de deslocamento)
G3 – Natal, Fortaleza e Brasília (2.122 km de deslocamento)
G4 – Natal, Manaus e Recife (5.598 km de deslocamento)
Grupo H
H1 – Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo (6.96 km de deslocamento)
H2 – Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba (1.877 km de deslocamento)
H3 – Cuiabá, Rio de Janeiro e Curitiba (2.250 km de deslocamento)
H4 – Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo (2.193 km de deslocamento)
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