Esta é uma das visões futuras do novo estádio que será construido em Brasília para o Mundial de 2014Crédito: Castro Mello Arquitetos/GMP
São apenas os primeiros capítulos de uma disputa pelo desenvolvimento logístico do futebol brasileiro. Mas os primeiros conflitos dessa história indicam a possibilidade de mudanças nos planos para a Copa de 2014 no Brasil.
São Paulo, teoricamente o estado com mais força para receber o jogo de abertura, vem perdendo espaço para Brasília, sedenta pelo privilégio de abrir a competição. Correndo por fora, Belo Horizonte e Porto Alegre também alimentam expectativas, principalmente após as reincidentes críticas por parte da Fifa em relação ao projeto do Morumbi.
“Já considerava Brasília favorita desde o princípio. É a cidade mais preparada. Temos aeroporto, metrô e rodoviária perto do estádio, um estacionamento enorme e nosso centro de mídia será construído a menos de 100 metros do Mané Garrincha. Brigamos não só pela abertura, mas pela final da Copa”, afirmou Aguinaldo de Jesus, secretário de Esportes do DF.
O secretário geral da Fifa, Jeróme Valcke, afirmou recentemente que o Morumbi não tem condições de receber uma partida de Copa do Mundo e chegou a defender a construção de um novo estádio em São Paulo. Já o projeto do Mané Garrincha foi aprovado.
“O comitê da Fifa nos havia dito à época que o Brasil está se preparando para a Copa, enquanto Brasília já estava preparada. O centro de mídia no Rio, por exemplo, será em Resende, a duas horas do Maracanã. O Morumbi é cercado por prédios. Realmente é preciso um megaprojeto lá”, cutucou Aguinaldo.
Pesam a favor de Brasília os 50 anos da fundação da cidade, que serão comemorados ano que vem, além da construção da linha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que ligará o aeroporto às asas Sul e Norte da cidade – inclusive com estação no setor hoteleiro, nas proximidades do estádio.
O primeiro trecho será inaugurado dia 7 de setembro do ano que vem. Brasília será a primeira cidade da América do Sul com este meio de transporte, considerado ecologicamente correto.
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, está trabalhando para que Brasília seja sede da abertura da Copa-2014. Muito contribui, segundo ele, o fato de a capital ter um conjunto de fatores que facilitam a mobilidade de turistas e equipes da Fifa.
“O setor hoteleiro da cidade fica a 500 metros do estádio. O centro de convenções Ulysses Guimarães, que pode ser o centro de imprensa, está a 300 metros do Mané Garrincha”, comentou o governador, recentemente.
Arruda ainda destaca a área gigante e livre ao redor do estádio, que vai ganhar uma reforma para ser arena multiuso, com amplo estacionamento asfaltado, para mais de cinco mil vagas.
Na semana passada, o presidente da Confederação Brasileira de Futebl (CBF), Ricardo Teixeira, líder do Comitê Organizador Local da Copa-2014, falou sobre os problemas no Morumbi
“Todos sabem que esse problema (falta de espaço no entorno do estádio) é maior no Morumbi. Você vai ao Mineirão e tem espaço para 380 caminhões. No Maracanã, tem menos. No Morumbi, menos ainda”, comentou o dirigente.
O São Paulo não demorou a tomar medidas para se manter forte na disputa. O clube contratou a empresa alemã GMP, que construiu estádios para a Copa da Alemanha e da África do Sul, para elaborar um novo projeto. Essa nova tentativa ainda não foi avaliada.
“Não tenho dúvida de que São Paulo deve abrir a Copa pela pujança do estado, assim como o Rio celebrará a final pelo seu charme. Ainda assim, teremos de tomar as devidas precauções já que Brasília e Minas vêm atuando nos bastidores para nos roubar o favoritismo”, explicou o gerente de Marketing do São Paulo, Adalberto Dellape, que aproveitou para rebater críticas.
“Brasília não tem futebol. Vão fazer um estádio para 70 mil pessoas, sendo que o clássico de lá, Brasiliense x Gama, põe 12 mil na arquibancada”.
Em Minas Gerais, a expectativa para sediar a abertura também existe. Em relação à final, Gustavo Corrêa, secretário de Esportes, mantém os pés no chão. “Trabalhamos em busca da abertura. Nosso projeto é consistente, viável e foi aprovado com louvor pela Fifa. Sabemos que no Rio há o Maracanã que é fora de série, mas quanto às semifinais e à abertura estamos na briga”.
Motivos para que a disputa fique cada vez mais acirrada não faltam. A cidade responsável por abrigar o primeiro jogo da Copa do Mundo receberá também o Congresso Anual da Fifa, uma semana antes do Mundial, em que a cidade terá a visita de mais de 200 dirigentes de todo o mundo. Isso deve gerar muito dinheiro para o município.
Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF e representante do COL, bota água na fervura e explica que até 2011 ainda há muito para se resolver. “É uma decisão a ser tomada pela Fifa no fim do ano que vem. Por enquanto, a fase é de análise dos projetos de estádio. Depois, estuda-se a cidade”, esclareceu.
Por Leandro Mazzini e Rafael Gonzalez
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