segunda-feira, 8 de março de 2010

Justiça seja feita




Três imagens de João Carlos Cavalho à frente do Ceilandense. O amazonense vai, aos poucos, demonstrando o seu potencial como técnico
Crédito: AdalbertoMarques.com

Ele desembarcou no nosso futebol de uma forma bem sutil, sem estardalhaço, sem aparecer na mídia, mas disposto a trabalhar arduamente nesse seu próximo desafio, que era o de assumir o comando do Ceilandense, que vinha de conquistar o título da Série B do ano passado sob o comando de Gérson Vieira.

Muitos, e me incluo entre eles, perguntavam, com desconfiança, é claro, quem era João Carlos Cavalo. A sua resposta veio nesses 12 jogos em que esteve à frente do time ceilandense. O que ele faz de tão extraordinário nos treinamentos da semana e durante as partidas, confeço-lhes que até agora não descobri.

Contudo, tenho uma certeza: ele está dando crédito a um time que foi armado com a clara intenção de não apenas participar do nosso campeonato, mas de tentar conquistar o título, desbancando, em consequência, o todopoderoso Brasiliense.

Tive que fazer uma longa e exaustiva pesquisa nesse mundo que se chama futebol brasileiro, mas descobrir e passar para os meus leitores um pouco desse profissional que vai "comendo pelas beiradas", como se fala na gíria.

João Carlos da Silva Bento nasceu em Lábrea, no interior do Amazonas, e desde cedo sempre acompanhou o futebol de perto como um verdadeiro torcedor.

“Nunca havia pensado em atuar em equipes profissionais. No Amazonas, tinha o hábito de ir no Vivaldão assistir grandes jogos, os estádios eram lotados, principalmente em clássicos Rio-Nal”, afirma.

O ex-jogador revela que nunca tinha sentido o desejo de se tornar um atleta profissional e desestimulado após completar 17 anos, o atleta foi atuar em competições amadoras na cidade de Manaus, apenas como uma forma de lazer.

“Nessa época existia o Peladão. Nós fizemos uma equipe lá do bairro. Na época tinha o Arsenal Futebol Clube, que é uma das equipes poderosas do Peladão. E os jogadores que não fizeram parte do Arsenal fizeram um time e a gente foi muito bem na competição”, revela.

Porém João Carlos jamais imaginava que o Peladão de Manaus, competição com maior número de clubes do mundo, poderia mudar sua vida.

“Num desses jogos havia um irmão de um diretor do Rio Negro que me viu jogar, gostou do meu futebol, começou a entrar em contato comigo e aconteceu de ir defender as cores do Rio Negro”, afirma.

Primeiro Clube
Em 1988, ao chegar ao Rio Negro, o jogador, na época, se sentiu um verdadeiro privilegiado em estar no meio de atletas consagrados, que João Carlos costumava acompanhar do outro lado, ou seja, da arquibancada.

“Foi algo muito prazeroso, pois me vi ao lado de pessoas que costumava assistir, como: Luiz Florêncio; Galvão, Macapá, Fernandinho, Hidalgo e Luiz Roberto”, diz.

João Carlos Cavalo passou então quatro anos gloriosos no Rio Negro conquistando quatro títulos estaduais (1987 à 1990) para a história do Galo da Praça da Saudade.

O Apelido
Na época em que percorria os campos de várzea de Manaus, o pequeno João Carlos da Silva Bento passou a ter um apelido que ficou marcado em sua carreira até os dias atuais.

“Na época era novo e o pessoal me dizia que corria igual a um cavalo. Aí ficou. No Peladão era cavalo, mas quando comecei a jogar futebol passou a ser João Carlos Cavalo”, revela.

Vai e vem
Após ter sua primeira experiência como atleta profissional, João Carlos Cavalo simplesmente pegou gosto pelo futebol e trilhou uma verdadeira carreira de sucesso. Depois de passar pelo Rio Negro, foi a vez do atleta ir para o estado do Paraná.

O jogador defendeu as cores do Matsubara. “Quando cheguei em 1990, o Matsubara tinha uma das maiores referências de jogadores do Brasil. Em 1993, fui o corujinha de ouro, único jogador do interior a conquistar este feito e sendo uma unanimidade em toda imprensa paranaense”, revela.

Após sua passagem de quatro anos pelo Matsubara, João Carlos Cavalo foi contratado por outra equipe paranaense: o Atlético-PR, onde atuou em 1994 e 1995.

Após sua passagem pelo Furacão Paraense, o atleta retornou ao Matsubara e revela o motivo: “Na época existia um planejamento ousado para transferir a equipe para Londrina, para fazer um time campeão. Foi quando contrataram o Neto (ex-jogador do Corinthians-SP). A gente ficou com o vice-campeonato”.

Experiência Internacional
Após o vice-campeonato paranaense, João Carlos Cavalo teve sua primeira passagem pelo exterior. O jogador foi atuar no Japão pelo FC Tóquio.

Sua segunda passagem pelo exterior ocorreu na Suíça, após sua passagem pelo Blumenau-SC, Ituano-SP, Joinville-SC, São Carlense e São Raimundo-AM. Seu novo clube era o Yverdon Sport FC, onde disputou a primeira divisão do futebol daquele país.

Alegria
Em 1997, João Carlos Cavalo retornou a Manaus, onde conquistou um feito histórico para sua carreira. “Fazia 66 anos que o São Raimundo não era campeão. Aí recebi o convite do Lana para participar da equipe e a gente conseguiu com êxito o Estadual”, revela.

Decepção
Uma das maiores decepções do ex-jogador foi não ter dado a cidade de Joinville o acesso à primeira divisão do futebol brasileiro.

“A gente tinha uma super-equipe e fomos a Belém e eliminamos o Paysandu-PA. Precisávamos somente do empate no nosso jogo em nossa casa contra o Londrina-PR, que era uma equipe muito inferior”, afirma.

Feito
Um dos maiores feitos que o ex-jogador considera em sua carreira é o fato de ter conquistado o acesso à Primeira Divisão do Campeonato Paulista ao Ituano-SP em 1997 juntamente com a Matonense-SP. “Você chegar e conquistar seu espaço: isso foi uma marca”, revela.

Já outro fato marcante ocorreu na Suíça. “Quando as pessoas souberam que não iria mais jogar, tive uma receptividade muito grande por parte de torcedores, das pessoas, dos dirigentes e acho que isso foi marcante”, afirma.

“O começo foi muito importante para mim, foi uma fase de tudo. Foi onde consegui o impulso para que continuasse minha carreira. Foi o fato de encontrar inúmeros jogadores consagrados, que me ajudaram, que me orientaram. Foram momentos mágicos em minha carreira de conhecer novas culturas, ter a oportunidade de estar junto com minha família, novos lugares, novas oportunidades e perspectiva de vida”, diz.

O treinador
Desde 1997, João Carlos Cavalo vinha se preparando, observando e analisando os trabalhos realizados pelos treinadores que teve ao longo de sua carreira, principalmente na época em que esteve no Japão.

E em 2003, o jogador pendurou as chuteiras dando espaço ao boné e ao apito, comandando o Rio Negro na disputa do Campeonato Amazonense daquele ano. “Tive uma semana para formar o time onde fomos campeões invictos do primeiro turno e fomos para a final contra o Nacional, mas perdemos na decisão”, diz.

“A partir de 1997, quando estava Japão, comecei a me preparar, a olhar termos de trabalho, trabalhos táticos e técnicos. Acho que minha passagem pelo futebol europeu me deu uma condição muito boa de assimilar planejamento, trabalhos, que lá eles são muito exigentes”, revela.

Em quatro anos como treinador profissional, João Carlos Cavalo conquistou dois títulos do Campeonato Acreano e um amazonense, demonstrando qualidade em seu novo trabalho: agora fora das quatro linhas. “Joguei durante 15 anos e decidi começar uma nova carreira dentro do futebol, por ter absolvido muitas coisas durante o tempo que fui jogador”, finaliza.

Ficha Técnica
Nome: João Carlos da Silva Bento;
Apelido: João Carlos Cavalo;
Data de Nascimento: 19 de junho de 1967;
Cidade Natal: Lábrea (AM);
Clubes como jogador: Atlético-PR, Blumenau-SC, Ituano-SP, Joinville-SC, Matsubara-PR, Rio Negro-AM, São Carlense-SP, São Raimundo-AM e Yverdon-SUI.
Clubes como treinador: Grêmio Coariense-AM, Nacional-AM, Rio Branco-AC, Rio Negro-AM e São Raimundo-AM.
Títulos como jogador: Campeão Amazonense (1987, 1988, 1989, 1990 e 1997);
Títulos como treinador: Campeão da Taça Amazonas (2003), Campeão do Torneio Início do Campeonato Amazonense (2004 e 2005), Campeão Acreano (2004 e 2005); Campeão Amazonense (2005).

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