quarta-feira, 13 de abril de 2011

Corinthians defende negociação isolada

Já o São Paulo alerta para o risco de concentração


O caso da Espanha, onde o campeonato de futebol é quase sempre vencido por Barcelona ou Real Madrid, foi citado esta manhã pelo representante do São Paulo, José Francisco Cimino Manssur, como exemplo de risco a que o futebol brasileiro se expõe com as negociações isoladas dos direitos de transmissão de jogos.

Em tempo: o assessor especial da presidência do clube paulista e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, participaram da primeira das duas audiências públicas sobre este tema na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), do Senado.

Pouco antes, Sanchez havia feito um histórico das divergências que resultaram na saída do Corinthians do Clube dos 13, entidade que vinha representando as principais agremiações nas negociações dos direitos de transmissão.

Ele disse que deseja o maior valor possível para o Corinthians, que, sendo um time de massa, "tem melhores chances" na negociação individual.

O presidente do Corinthians esclareceu que, antes de partir para a negociação isolada dos direitos de transmissão, pediu uma prestação de contas ao Clube dos 13 e discordou de parte dos números apresentados.

Além disso, posicionou-se contrário ao pagamento, ao Clube dos 13, de comissão entre 3 e 4 por cento sobre o valor global do contrato de R$ 1,2 bilhão, referente aos direitos de transmissão por três anos. “Isso dá R$ 40 milhões para pagar de 10 a 12 funcionários, o que é um absurdo”, afirmou.

Os clubes, segundo o presidente corintiano, teriam de arcar também com os custos da fiança bancária do contrato, em torno de 5 a 8 por cento do valor global.

Por discordar do encaminhamento dado à questão pela diretoria do Clube dos 13, o Corinthians fechou há 45 dias um contrato com a Globo e a Globosat, cujo valor ele não revelou, mas que considerou "o melhor da história do futebol brasileiro".

Já Manssur, o seu colega do São Paulo, que integra a diretoria do Clube dos 13, explicou que, em 1997, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começou a investigar possível lesão ao direito de concorrência na negociação feita pelo grupo.

Dois fatos, segundo o dirigente são-paulino, embasavam o processo: o direito de preferência pelo qual a Rede Globo poderia cobrir eventual proposta feita por outra emissora interessada na transmissão dos jogos e a negociação em bloco das mídias.

Em 2010, ainda de acordo com Manssur, a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, deu um parecer no processo afirmando que esses dois pontos feriam o direito concorrencial, o que levou o Clube dos 13 a assinar termo de cessação de conduta com o Cade.

Manssur disse que um estudo realizado por especialista contratado pelo Clube dos 13 levantou a experiência de vários países e permitiu à entidade quantificar o valor do "produto chamado futebol brasileiro", para negociar os direitos de transmissão por meio de concorrência.

O representante do tricolor do Morumbi explicou que, a partir daí, houve um movimento de clubes que discordaram dos critérios da concorrência e passaram a realizar negociações individuais.

Segundo Manssur, porém, o São Paulo entende que a negociação coletiva ainda é a melhor opção. “O produto futebol brasileiro é coletivo”, disse.

Para Mansur, a negociação coletiva fortaleceu os clubes brasileiros e hoje há de 10 a 12 equipes em condições de ganhar o Campeonato Brasileiro, uma situação diferente da Espanha, onde a taça de campeão fica quase sempre com o Barcelona ou o Real Madrid.

Por: Djalba Lima / Agência Senado

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