Juan e Lúcio, fora das quatro linhas, são pessoas simples, que fazem questão de se manterem longe dos holofotes. Com a bola rolando, contudo, os dois se transformamCrédito: Getty Images
Já se vão quase oito anos desde que Lúcio e Juan formaram pela primeira vez a defesa titular do Bayer Leverkusen.
Em julho de 2002, a dupla iniciava na Alemanha uma parceria que, mais tarde, se transformaria no pilar de duas gerações diferentes da Seleção Brasileira e que se tornaria o motivo de orgulho para uma nação acostumada a idolatrar meias e atacantes habilidosos.
Em boa sintonia graças aos mais de cinco anos de serviços prestados à equipe nacional, os dois se preparam agora para uma nova etapa em suas carreiras.
Novamente titulares após a frustrante campanha na Alemanha 2006, quando ao menos saíram em alta da competição, eles tentarão manter o nível elevado das últimas campanhas e ainda confirmar a posição de destaque em uma equipe que tem primado pela regularidade defensiva sob o comando de Dunga.
Juan creditou este novo status exatamente à filosofia do treinador, que permitiu que jogadores até então menos badalados se sobressaíssem dentro do grupo.
“O Dunga tem uma grande parcela de contribuição para a mudança de mentalidade na Seleção. Ele começou a abrir os olhos das pessoas para a importância do setor defensivo e fala abertamente sobre isso”, apontou o zagueiro da Roma.
“Todos, de uma forma geral, estão dando mais valor para o trabalho que realizamos, e o reconhecimento é algo que nos dá orgulho, por toda cultura ofensiva e por todas as estrelas que fazem parte do nosso futebol.”
Tal mentalidade é vista pelo mesmo Juan como a principal diferença entre as seleções de 2010 e 2006, da qual se esperava que encantasse o mundo justamente por seu futebol vistoso e ofensivo.
Mas, para quem viveu estas duas experiências “extremas”, ver no atual grupo jogadores dedicados e fiéis à proposta do treinador faz com que ele vislumbre uma campanha promissora na África do Sul.
“A seleção de 2006 era mais ofensiva e contava com mais jogadores experientes e de qualidade técnica fora do comum”, lembra Juan.
“Já a atual tem mais cara de time. É uma equipe mais equilibrada. Não possui tanta experiência, mas tem vontade de sobra de fazer um belo Mundial. O Dunga conseguiu formar um grupo sólido nesses quatro anos. Construímos nosso time em cima das críticas. Isso nos fortaleceu ainda mais.”
O equilíbrio citado por Juan é, aliás, uma das principais características da dupla de zaga. Algo que só foi conquistado graças à amizade fora dos gramados e ao longo período em que seus caminhos vêm se cruzando.
Quem confirma, desta vez, é Lúcio. “Temos uma história legal, que se transformou em grande amizade. Estamos sempre em contato e sempre que possível nossas famílias se encontram. O entrosamento e o companheirismo são muito fortes e isso é fundamental para se vencer os jogos”, explicou o zagueiro da Inter de Milão.
Juan assina embaixo e ainda explica como a boa relação pode ajudar dentro de campo. “Pelo tempo que convivemos, sabemos mais ou menos o que o outro vai fazer. Passamos por muita coisa juntos, que nos fez crescer em todos os sentidos”, aponta.
O resultado desta união é visível nos números que sustentam com a Amarelinha. Desde 2005, quando estiveram em campo na goleada por 7 x 1 sobre Hong Kong, eles atuaram juntos em 37 jogos da Seleção, obtendo 27 vitórias, sete empates e apenas três derrotas (para a França, na Copa do Mundo da FIFA 2006; para Portugal, em amistoso em 2007, e para o Paraguai, nas Eliminatórias de 2010).
Para dar mais credibilidade à dupla, é bom afirmar que, ao todo, foram 21 gols sofridos, média pouco superior a um a cada duas partidas.
Mas, curiosamente, Lúcio e Juan deverão disputar juntos na África do Sul apenas a primeira grande competição sob o comando de Dunga.
Quando poderiam, enfim, estrear na Copa América de 2007, o primeiro se recuperava de cirurgia e não foi chamado. Já em 2009, na Copa das Confederações, foi a vez de o segundo sentir lesão e desfalcar a equipe em praticamente todo o torneio.
Se o entrosamento é apontado por ambos como um dos pontos fortes da dupla, justamente os recorrentes problemas físicos chegam a assustar, principalmente no caso de Juan.
Depois de passar boa parte da temporada 2009 no departamento médico da Roma, ele espera colocar um ponto final nesta série preocupante dos últimos anos.
“Sofri muito no ano passado, mas felizmente já faz bastante tempo que não me lesiono e que voltei a ser o jogador participativo de antes”, explicou o jogador de 31 anos.
“Terei alguns dias livres, agora que terminou o Campeonato Italiano, e pretendo intensificar a preparação para diminuir ainda mais os riscos”.
Já Lúcio, que completou 32 anos no último sábado, vai ainda mais longe. Conhecido pela notável dedicação aos treinos, ele não se dá por satisfeito ao realizar exercícios apenas no clube e encontra tempo para trabalhar o condicionamento físico até mesmo em casa.
“Procuro me fortalecer sempre que posso para suportar esta maratona de jogos. Para isso montei uma academia em casa que me ajuda bastante”, indica.
A tal maratona a que o defensor nascido em Planaltina se refere é “culpa”, em parte, da sua própria fase na Inter de Milão.
Isto porque, sob o comando de José Mourinho, o zagueiro foi um dos principais destaques da equipe neste ano e recebeu enormes elogios, principalmente pelas atuações em dois duelos da Liga dos Campeões, contra Chelsea e Barcelona, quando enfrentou – e parou – atacantes como Didier Drogba e Lionel Messi.
Juan não fica atrás. Sua volta aos gramados após se recuperar da lesão muscular na coxa foi fundamental para a fantástica arrancada da Roma no Campeonato Italiano.
Da ponta de baixo da tabela, a equipe passou a brigar pelo título após sustentar invencibilidade de 24 partidas, período em que inclusive derrotou a Inter de Lúcio para assumir provisoriamente a liderança.
Com ambos em grande forma, Inter e Roma prolongaram o suspense na briga pelo título nacional até a última rodada. Parceiros na Seleção, os dois tiveram de deixar a boa relação de lado para se concentrar exclusivamente nos objetivos de seus clubes.
Em tempo: o título italiano foi conquistado mais uma vez pela Internazionale, de Milão, time de Lúcio, enquanto o vice-campeonato ficou com a Roma, justamente a equipe do seu colega Juan.
“Encaramos essa disputa com naturalidade. Cada um lutou pelo seu time na hora do jogo e não poderia ser diferente. Depois disso, a amizade continua”, revelou Juan, que já havia sido rival de Lúcio na época em que um atuava pelo Bayer Lervekusen e, outro, pelo Bayern de Munique.
De longe, Dunga ficou só de olho. Sem demonstrar preferência pelo título de um ou de outro, ele certamente torceu mais tarde para que os tais “dias livres” de Juan ou a academia particular de Lúcio possam ajudá-los a seguir em grande forma nas semanas que antecedem ao Mundial da África do Sul.
Em julho de 2002, a dupla iniciava na Alemanha uma parceria que, mais tarde, se transformaria no pilar de duas gerações diferentes da Seleção Brasileira e que se tornaria o motivo de orgulho para uma nação acostumada a idolatrar meias e atacantes habilidosos.
Em boa sintonia graças aos mais de cinco anos de serviços prestados à equipe nacional, os dois se preparam agora para uma nova etapa em suas carreiras.
Novamente titulares após a frustrante campanha na Alemanha 2006, quando ao menos saíram em alta da competição, eles tentarão manter o nível elevado das últimas campanhas e ainda confirmar a posição de destaque em uma equipe que tem primado pela regularidade defensiva sob o comando de Dunga.
Juan creditou este novo status exatamente à filosofia do treinador, que permitiu que jogadores até então menos badalados se sobressaíssem dentro do grupo.
“O Dunga tem uma grande parcela de contribuição para a mudança de mentalidade na Seleção. Ele começou a abrir os olhos das pessoas para a importância do setor defensivo e fala abertamente sobre isso”, apontou o zagueiro da Roma.
“Todos, de uma forma geral, estão dando mais valor para o trabalho que realizamos, e o reconhecimento é algo que nos dá orgulho, por toda cultura ofensiva e por todas as estrelas que fazem parte do nosso futebol.”
Tal mentalidade é vista pelo mesmo Juan como a principal diferença entre as seleções de 2010 e 2006, da qual se esperava que encantasse o mundo justamente por seu futebol vistoso e ofensivo.
Mas, para quem viveu estas duas experiências “extremas”, ver no atual grupo jogadores dedicados e fiéis à proposta do treinador faz com que ele vislumbre uma campanha promissora na África do Sul.
“A seleção de 2006 era mais ofensiva e contava com mais jogadores experientes e de qualidade técnica fora do comum”, lembra Juan.
“Já a atual tem mais cara de time. É uma equipe mais equilibrada. Não possui tanta experiência, mas tem vontade de sobra de fazer um belo Mundial. O Dunga conseguiu formar um grupo sólido nesses quatro anos. Construímos nosso time em cima das críticas. Isso nos fortaleceu ainda mais.”
O equilíbrio citado por Juan é, aliás, uma das principais características da dupla de zaga. Algo que só foi conquistado graças à amizade fora dos gramados e ao longo período em que seus caminhos vêm se cruzando.
Quem confirma, desta vez, é Lúcio. “Temos uma história legal, que se transformou em grande amizade. Estamos sempre em contato e sempre que possível nossas famílias se encontram. O entrosamento e o companheirismo são muito fortes e isso é fundamental para se vencer os jogos”, explicou o zagueiro da Inter de Milão.
Juan assina embaixo e ainda explica como a boa relação pode ajudar dentro de campo. “Pelo tempo que convivemos, sabemos mais ou menos o que o outro vai fazer. Passamos por muita coisa juntos, que nos fez crescer em todos os sentidos”, aponta.
O resultado desta união é visível nos números que sustentam com a Amarelinha. Desde 2005, quando estiveram em campo na goleada por 7 x 1 sobre Hong Kong, eles atuaram juntos em 37 jogos da Seleção, obtendo 27 vitórias, sete empates e apenas três derrotas (para a França, na Copa do Mundo da FIFA 2006; para Portugal, em amistoso em 2007, e para o Paraguai, nas Eliminatórias de 2010).
Para dar mais credibilidade à dupla, é bom afirmar que, ao todo, foram 21 gols sofridos, média pouco superior a um a cada duas partidas.
Mas, curiosamente, Lúcio e Juan deverão disputar juntos na África do Sul apenas a primeira grande competição sob o comando de Dunga.
Quando poderiam, enfim, estrear na Copa América de 2007, o primeiro se recuperava de cirurgia e não foi chamado. Já em 2009, na Copa das Confederações, foi a vez de o segundo sentir lesão e desfalcar a equipe em praticamente todo o torneio.
Se o entrosamento é apontado por ambos como um dos pontos fortes da dupla, justamente os recorrentes problemas físicos chegam a assustar, principalmente no caso de Juan.
Depois de passar boa parte da temporada 2009 no departamento médico da Roma, ele espera colocar um ponto final nesta série preocupante dos últimos anos.
“Sofri muito no ano passado, mas felizmente já faz bastante tempo que não me lesiono e que voltei a ser o jogador participativo de antes”, explicou o jogador de 31 anos.
“Terei alguns dias livres, agora que terminou o Campeonato Italiano, e pretendo intensificar a preparação para diminuir ainda mais os riscos”.
Já Lúcio, que completou 32 anos no último sábado, vai ainda mais longe. Conhecido pela notável dedicação aos treinos, ele não se dá por satisfeito ao realizar exercícios apenas no clube e encontra tempo para trabalhar o condicionamento físico até mesmo em casa.
“Procuro me fortalecer sempre que posso para suportar esta maratona de jogos. Para isso montei uma academia em casa que me ajuda bastante”, indica.
A tal maratona a que o defensor nascido em Planaltina se refere é “culpa”, em parte, da sua própria fase na Inter de Milão.
Isto porque, sob o comando de José Mourinho, o zagueiro foi um dos principais destaques da equipe neste ano e recebeu enormes elogios, principalmente pelas atuações em dois duelos da Liga dos Campeões, contra Chelsea e Barcelona, quando enfrentou – e parou – atacantes como Didier Drogba e Lionel Messi.
Juan não fica atrás. Sua volta aos gramados após se recuperar da lesão muscular na coxa foi fundamental para a fantástica arrancada da Roma no Campeonato Italiano.
Da ponta de baixo da tabela, a equipe passou a brigar pelo título após sustentar invencibilidade de 24 partidas, período em que inclusive derrotou a Inter de Lúcio para assumir provisoriamente a liderança.
Com ambos em grande forma, Inter e Roma prolongaram o suspense na briga pelo título nacional até a última rodada. Parceiros na Seleção, os dois tiveram de deixar a boa relação de lado para se concentrar exclusivamente nos objetivos de seus clubes.
Em tempo: o título italiano foi conquistado mais uma vez pela Internazionale, de Milão, time de Lúcio, enquanto o vice-campeonato ficou com a Roma, justamente a equipe do seu colega Juan.
“Encaramos essa disputa com naturalidade. Cada um lutou pelo seu time na hora do jogo e não poderia ser diferente. Depois disso, a amizade continua”, revelou Juan, que já havia sido rival de Lúcio na época em que um atuava pelo Bayer Lervekusen e, outro, pelo Bayern de Munique.
De longe, Dunga ficou só de olho. Sem demonstrar preferência pelo título de um ou de outro, ele certamente torceu mais tarde para que os tais “dias livres” de Juan ou a academia particular de Lúcio possam ajudá-los a seguir em grande forma nas semanas que antecedem ao Mundial da África do Sul.
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