Os materiais a serem empregados na obra são diferenciados, segundo explicou o arquiteto Eduardo de Castro MelloCrédito: Castro Mello Arquitetos
Tecnologia usada na obra explica valores mais altos
Na última terça-feira, a Folha de S.Paulo publicou matéria sobre relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que assinalava superfaturamento de até 74% em vários itens do projeto para a Arena Nacional de Brasília, que é a nova versão do Mané Garrincha, especialmente desenhada para a Copa de 2014.
Ao citar o relatório do TCDF, a reportagem indicava "sobrepreços de até 65% em relação aos valores de mercado" no projeto do estádio e apontava os maiores disparates nos itens de concreto, formas e transporte de material escavado, com variações de 35% a 65% superiores à média de mercado.
Na visão do arquiteto Eduardo de Castro Mello, diretor da Castro Mello Arquitetos, a matéria baseou-se em vários dados que já haviam sido discutidos com o Tribunal e esclarecidos em sucessivas reuniões com o órgão.
"O documento citado na matéria é de fevereiro, quando o tribunal paralisou a licitação e solicitou esclarecimentos à Novacap, empresa responsável pela renovação do estádio. Nós participamos de algumas reuniões no TCDF e fomos elucidando cada uma das dúvidas levantadas pela equipe técnica do tribunal. No último dia 7 ocorreu a última reunião entre o Tribunal e a Novacap e já não existe mais nenhum ponto duvidoso", explicou Castro Mello.
O arquiteto lembrou que o projeto da nova arena foi entregue à Novacap em novembro de 2009 e já continha os detalhes construtivos e projetos específicos de estrutura, instalações, iluminação, drenagem e outros itens, além das planilhas com os custos dos materiais e serviços.
"Chegamos ao custo de R$ 740 milhões, compatível com o de um estádio para 70 mil lugares. Um estádio menor, por exemplo, com 45 mil lugares, teria um custo de R$ 8 mil por assento, mas o nosso é um equipamento projetado para a abertura da Copa".
Mello explicou ainda que, "com base nesses documentos, a Novacap pôde montar a etapa da licitação, para selecionar as três empresas que foram consideradas tecnicamente capazes de realizar a obra".
Castro Mello explicou que a arena de Brasília não é uma obra convencional, como a de um edifício, daí a dificuldade de cotejar certos dados e valores que constam nas planilhas com os valores médios de mercado.
"O concreto, por exemplo, é um concreto de alto desempenho, que tem uma resistência de 40 MPa, equivalente a 400 kg/cm2, para permitir uma estrutura mais esbelta, de aparência mais leve. Esse concreto exige um cimento especial, aditivos químicos e até mesmo um tipo de agregado (pedra britada) que não existe em Brasília e terá de ser trazido de Goiânia. Nós estamos recomendando que a construtora utilize uma adição de fly ash, resíduo de altos fornos e termelétricas, que aumenta a resistência do concreto e substitui uma parte do cimento. Com essa opção, nós também ganharemos pontos na certificação Leed", explica o arquiteto.
Ainda segundo Castro Mello, a obra terá uma série de exigências incomuns em outras construções, como as luminárias, que terão de ser instaladas a 40 metros de altura, com várias dificuldades de acesso e segurança.
Outro ponto: para construir os pilares de sustentação da cobertura serão demandados 12 gruas e quatro jogos de formas e escoramentos, porque cada série de pilares deverá ser concretada ao mesmo tempo. "Todas as dúvidas já foram esclarecidas no tribunal", reiterou o arquiteto.
As declarações foram confirmadas pelo gerente de projetos do Mundial em Brasília, Sérgio Graça. "Estamos dependendo apenas do Tribunal de Contas. No dia 12 (de março), tivemos uma reunião formal com uma apresentação do arquiteto, do escritório que foi contratado para fazer a parte estrutural e com o escritório da parte das instalações elétricas e hidráulicas e explicamos todas as dúvidas".
Graça estima que a licitação de preços seja publicada antes do dia 20 de abril e que logo após a escolha da construtora a obra seja iniciada. "Toda pré-qualificação já foi feita, então, na verdade, agora é só assinar o contrato com a empresa que ganhar e começar a obra, ainda no mês de maio", disse o gerente de projetos.
Sérgio Graça avalia que, na licitação, o preço da obra deverá cair para cerca de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões. "Não será o estádio mais caro; a comparação somente poderá ser feita depois de todas as licitações. Antes disso, tudo é especulação", declarou.
Consultada, a assessoria da Novacap declarou: "Estamos na fase de orçamento, isso significa que apresentamos um orçamento para o TCDF e o órgão está analisando. Numa primeira análise, o Tribunal pediu mais alguns documentos à Novacap, que os apresentou. Esses estão, nesse momento, sob análise do TCDF. Não existe sobrepreço, não existe indício de superfaturmento pelo simples fato de a obra ainda não ter sido licitada".
Nenhum comentário:
Postar um comentário